Entrevista Liliane Alves
Sobre a autora:
Liliane Alves é mineira de Uberlândia, onde atua como professora, mãe e esposa. Nas horas vagas é escritora de ficção científica pelo selo Saifers, se arrisca nas artes e artesanatos, na jardinagem, na astronomia e na gastronomia e arranha alguns instrumentos musicais.
Entrevista:
1. Liliane, você é uma autora de ficção científica, mas escreveu um livro chamado, Pérolas Amarelas que retrata uma personagem com o Mal de Alzheimer. O que levou você, a escrever outro gênero?
Liliane: O livro Pérolas Amarelas era algo que brotou em mim e eu precisei escrever, mas quando surgiu a oportunidade de participar de uma coletânea de ficção científica deixei o medo de lado e mergulhei de cabeça. A ficção científica é uma paixão que só aumenta, e planejo continuar.
2. Liliane, você tem um conto chamado Limbo, que trata de um tema delicado, de onde veio a ideia de escrever esse conto?
Liliane: A escrita do Limbo foi uma tentativa de escrever terror para participar de uma coletânea, mas a ficção científica já estava no meu sangue, daí virou esse crossover. Me sentei no feriadão de 12 de outubro e a história tinha vida própria. Ela veio e usou minhas mãos para nascer. Brinco dizendo que Limbo é uma psicografia, pois não sei como nem de onde veio rsrs.
3. Como você vê o marcado literário para mulheres que escrevem ficção científica?
Liliane: A vida das mulheres já é mais difícil do que a dos homens de modo geral. A gente sabe fazer várias coisas ao mesmo tempo, mas isso não é só uma característica, acredito ser tipo herança genética no inconsciente coletivo de gerações de mulheres que sempre foram as responsáveis por fazer tudo. Daí somos julgadas por não saber fazer bem os trabalhos ditos “de homem”, mas sabemos sim. No mercado de trabalho é do mesmo jeito, e na literatura não é diferente. E a Ficção científica não envolve apenas física quântica e coisas complicadas (coisa que infelizmente teve mais homens nas pesquisas, pois as mulheres estavam ocupadas cuidando dos homens para que eles tivessem tempo e disposição para fazerem o que queriam), não é só sobre ciência, a ficção científica envolve, em primeiro lugar, imaginação. Depois a gente usa a lógica e o conhecimento empírico (ou não) para justificar a parte da fantasia, como se fosse plausível e por vezes é até real. Se as pessoas acham que as mulheres não são capazes de criar isso, é muito preconceito, e sinceramente, então é problema delas (as pessoas preconceituosas).
4. Se você pudesse conversar com um autor que já faleceu, quem seria e por quê?
Liliane: Antes dessa entrevista eu tinha vontade conversar com a Clarice Lispector, mas agora fiquei com vontade chamar para um café, a Octávia Butler e a Mary Shelley, pois elas foram, não só geniais, mas muito corajosas por ingressarem num mundo que antes era só dos homens e com uma qualidade, na minha humilde opinião, superior a de muito marmanjo por aí.
5. Se você pudesse descrever suas histórias com uma só palavra, qual seria essa palavra?
Liliane: Agora você me apertou sem abraçar rsrs. Bom, Limbo já é a palavra que define a história, mas se eu fosse escolher outra seria “Asco”
Poeira Espacial, acho que seria “Probabilidade”
Incursão “desventuras”
Pérolas Amarelas “atemporal”
A girafa e a melancia “evolucionismo”



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